"E este Evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, então virá o fim." (Mt. 24: 14)
O número de reuniões on-line entre cristãos - cultos, reuniões de oração, estudos bíblicos - aumentaram consideravelmente durante a pandemia do coronavírus em todo mundo.
Na China muitas igrejas domésticas e algumas
ligadas ao governo, começaram a transmitir seus cultos on-line ao
vivo durante a quarentena, sendo que apenas
essas últimas tinham autorização para celebrar os cultos on-line.
Porém, segundo informações da ONG Portas Abertas
(EUA), na província de Shandong, as duas organizações religiosas
mais poderosas administradas pelo governo — o Movimento dos Três
Poderes e o Conselho Cristão da China — emitiram recentemente uma
declaração conjunta, ordenando que até mesmo suas igrejas se
abstivessem de compartilhar ou transmitir suas pregações on-line.
O decreto, carimbado com o selo de ambas as
organizações, acrescentou que, apesar do isolamento social em razão
do coronavírus, algumas igrejas não registradas continuaram a
realizar cultos on-line, usando locais não registrados.
As autoridades locais foram instruídas a
investigar e encerrar essas reuniões.
Em um local distante, a cerca de 700 quilômetros,
ao sul na província de Anhui, seguiu-se uma abordagem diferente.
Representantes regionais das mesmas duas organizações
governamentais emitiram um documento dando permissão às igrejas do
Estado para criar salas de bate-papo on-line durante o período de
bloqueio, mas alertaram que os pastores devem se conectar apenas aos
membros de sua própria congregação on-line, mais ninguém.
O documento proíbe o compartilhamento de links
para a pregação, adoração, leitura da Bíblia ou as orações de
qualquer pregador ou pessoa não afiliada ao local imediato da igreja
(registrado). Sendo assim, qualquer atividade que seja considerada
evangelismo também é proibida. Somente membros da igreja podem
participar do grupo on-line da igreja.
Oposição ousada
Até agora, os parceiros da Missão Portas Abertas
(EUA) só ouviram falar de três desses anúncios, mas são esperados
mais. O governo é conhecido por divulgar declarações como essa
para ameaçar e submeter a igreja. Naturalmente, os crentes
chineses estão acostumados a essas táticas e, para muitos deles,
nada mudará a menos que sejam forçados a fazê-lo.
Muitos usarão essa janela como oportunidade para
convidar amigos e estranhos que não crêem para ouvir o evangelho.
A igreja chinesa aprendeu ao longo de muitos anos
a abster-se de publicar conteúdo que pode ser distorcido para se
parecer com mensagens antigovernamentais. Em vez disso, diante do
bloqueio a cultos on-line, as igrejas pediram aos fiéis que orassem
por seu país e líderes e pelo fim da disseminação do coronavírus,
local e globalmente. Oram pelos trabalhadores da saúde, pelas
famílias e continuam a servir
suas comunidades, distribuindo brindes de comida, máscaras e
desinfetante para as pessoas necessitadas.
Embora a disseminação do coronavírus tenha
diminuído significativamente na China, acredita-se que o governo
provavelmente não tenha tempo ou recursos para perseguir a igreja
off-line. As autoridades enfrentam, portanto, um dilema.
Os cristãos demonstraram extraordinária coragem
e generosidade nos últimos três meses, e isso, combinado com uma
crescente presença on-line, pode representar para às autoridades um
desafio ainda maior depois que a epidemia desaparecer, pois os
cristãos poderão ser vistos como aqueles a quem o povo pode recorrer em
tempos de dificuldade.
Esse é um título ou mérito que o governo chinês não deseja conceder à igreja.
Os crentes chineses precisam do seu apoio neste
momento avassalador, mas significativo. Mais uma vez, eles escolheram
ser ousados diante da oposição, generosos diante da falta e
embaixadores da esperança em tempos de medo.
Fonte: Guiame, com informações da ONG Portas Abertas
(EUA)
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